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quarta-feira, junho 27, 2007

Microsoft provoca prejuízo de milhões a milhares de empresas

Até parece um título da TVI. Não é! Nenhum meio de comunicação social teria coragem para publicar um título destes. Mas é verdade. Senão vejamos.

Isto é como deveria aparecer o site da minha empresa num programa de navegação web (vulgo browser):



Mas no Internet Explorer 6 (IE6) aparece assim:



Claro que depois a culpa é do programador web. A minha sócia e excelente programadora web consegue sempre resolver os problemas de compatibilidade entre os browsers que respeitam os standards e os outros de segunda classe.

Mas agora, e voltando ao título deste blog, pergunto?

Quantas horas de trabalho técnico, em todo o mundo, em todas as empresas de produção de conteúdo web foram desperdiçadas a resolver estes problemas de compatibilidade, por causa de uma empresa que decidiu, para chatear, que não ia aderir aos standards definidos?

São standards ou não são!?

Milhões de horas que equivalem a ziliões em prejuízo para todas estas empresas...

quarta-feira, junho 20, 2007

"How NOT to use Powerpoint"

O título deste filme deveria ser "How NOT to build presentations".

Estamos a confundir as tarefas que se podem efectuar com um computador com os nomes de determinadas aplicações. Por exemplo:

Não dizemos "Criar um documento de texto", dizemos "criar um documento no Word".
Não dizemos "Criar uma folha de cálculo", dizemos "criar um documento no Excel".
Não dizemos "Criar uma apresentação", dizemos "Fazer um Powerpoint" !?

Contudo, neste caso, se o título fosse:

"How NOT to use Impress" (OpenOffice, múltiplas plataformas)
ou
"How NOT to use Keynote" (Max OS)

poucas pessoas iriam perceber qual era o assunto.

O filme é bastante engraçado. Foca erros frequentes de um grande número de apresentações e aplica-se a qualquer aplicação de criação de apresentações.

Video

sábado, junho 09, 2007

O mercado tem de se auto regular...

Segundo este blog a Microsoft voltou a fazer das suas. :) Desta vez assinou um contrato com o estado Português para certificar todos os cidadãos portugueses com o certificado "Curriculum Microsoft Literacia Digital". Certo! É já a seguir. (Já estou na fila...)

Até aqui parece que ninguém se importa muito, o problema começa quando se verifica que os cidadãos podem ser certificados "à borla" desde que "hipotequem" a sua liberdade e utilizem obrigatoriamente um determinado navegador. ;) Perceberam?

(Se não funciona com Firefox em Linux, acho que não vou poder ter esse certificado. Vou ter de me contentar com o grau de mestre. :()

E desta vez, para variar, não vou descascar na Microsoft. Esta empresa está a fazer o que qualquer empresa dona de um monopólio faria. Esta a trabalhar para o manter. E dito isto, avencemos... reparem que eu não disse que isso é uma coisa boa para nós, simples mortais consumidores.

Desta vez vou cascar no nosso governo. Provavelmente não se lembram mas, as tecnologias de informação foram discutidas em sessão parlamentar recentemente. Um dos pontos da agenda era a discussão sobre software livre. Para não variar, e não fôssemos nós um país de brandos costumes, a direita ainda não percebeu o que isso é. Software grátis não pode ser grande coisa. Certo? Afinal, ninguém dá nada a ninguém. A esquerda sabe muito bem o que é software livre, o que não abona muito a favor deste tipo de software. A conotação com uma ideologia politica em que os seus membros comem criancinhas ao pequeno almoço não é grande vantagem. Como se não fosse possível ganhar dinheiro graças a este tipo de software (Hello!? Redhat, IBM, SUN... dahh). O centro... bem o centro não me lembro... que continuem a bronzear os seus politicos. Ao menos ficam mais bonitos nas fotografias.

O que chateia neste governo é a tendência assumida que têm com tudo o que se relacione com a Microsoft. Nesta sessão parlamentar o bloco de esquerda defendia uma maior utilização de software livre dentro das instituições públicas. O governo respondeu com uma seca afirmação:

"O governo Português não deve interferir.
O mercado tem de se auto regular."

E eis mais uma afirmação que eu deixei, na altura, passar em branco. Não tenho tempo para comentar todas as idiotices que são feitas neste país. Mas desta vez tenho de dizer qualquer coisa. Ou seja, por um lado o governo afirma que deve deixar o mercado auto regular-se, por outro lado baixa as calcinhas aos lobbys das grandes empresas e faz destas merdas. É demais!!!

Senhores deputados, os governos de todo o mundo já perceberam as vantagens competitivas da utilização de software livre. Nós, para não variar, dependendo de vocês, vamos ser os últimos...

Mas tenho uma novidade para vocês, senhores deputados. O software livre já é muito utilizado nas instituições públicas. Vocês é que não sabem ;)

Acordem!!!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Licença EULA Suplementar da Microsoft...

Tive acesso a um "Kit Genuíno para o Windows XP Professional" (preço: 151?+IVA).

Por curiosidade estive a ler a EULA (End User License Agreement) Suplementar que o acompanha. As minhas partes preferidas são:



Na licença presente no EXTERIOR da embalagem, diz (primeiro parágrafo):

"1. (...) As licenças de software individuais contidas neste pacote não podem ser devolvidas após a abertura deste pacote".

Na licença presente no INTERIOR do pacote diz (terceiro parágrafo, em maiúsculas):

"(...) CASO O ADERENTE NÃO ESTEJA DE ACORDO, NÃO INSTALE NEM UTILIZE O SOFTWARE E, SE FOR O CASO, DEVOLVA-O AO LUGAR ONDE O OBTEVE PARA RECEBER UM REEMBOLSO TOTAL."

O problema é que, um potencial aderente só consegue ler esta parte da licença depois de abrir o pacote, e nessa altura, depois de aberto, segundo esta mesma licença já não o pode devolver. Boa M$! Impera o respeito pelos utilizadores, como é habitual.




Na licença exterior do pacote:

"14.6 Nada nesta licença inibe o aderente de prestar suporte, promover, distribuir ou utilizar software ou hardware sem ser Microsoft."

Fantástico!!!
Se tenho a benção da M$, então já posso utilizar Linux despreocupadamente. :)




A agora a cereja no topo do bolo...

Na licença interior (Penúltimo parágrafo):

"O Desempenho do Software Dependerá da Plataforma de Hardware, das Interacções do Software e da Configuração. O Software é complexo e não é tolerante a falhas nem isento de erros, conflitos ou interrupções. A Microsoft não fornece nenhuma garantia de que o Software funcionará correctamente em relação à respectiva instalação em qualquer sistema informático."

Fabuloso :). eu não teria dito melhor.
Ninguém pode NUNCA dizer que não foi avisado.

terça-feira, novembro 07, 2006

Haverá necessidade?

Como é normal para alguém que trabalha ligado à Internet o dia inteiro, recebo piadas de colegas de trabalho. Normalmente estas piadas trazem anexos, como imagens ou pequenos filmes. Mais vezes do que aquelas que gostaria, estes anexos irritam-me. Não por causa do conteúdo, mas pela forma como o autor original fez o ?empacotamento? da piada. Já cheguei a receber imagens que foram previamente ?empacotadas? num ficheiro do M$ Word, sem qualquer formatação nem efeito especial que justificasse a utilização de um processador de texto. O simples facto de ser o M$ Word irrita-me pois recorda-me que os ?PowerUsers? assumem, sem pensar, que o resto do mundo utiliza sistemas idênticos aos deles. Viva a diversidade!!! Mas voltando à questão, qual será a razão que justifique inserir imagens dentro de um ficheiro de texto (neste caso, ainda por cima, num formato proprietário) quando podia anexar as imagens directamente na mensagem de forma a facilitar a sua visualização pela maior parte dos clientes de correio electrónico, sem precisar de aplicações externas????

Se alguém tiver a resposta, por favor, digne-se partilhar...

Outro exemplo fabuloso é receber uma piada em formato de texto ?empacotado? dentro de, novamente, um ficheiro do M$ Word. Este exemplo ainda é pior, pois sei que existem utilizadores que não sabem anexar ficheiros a uma mensagem de e-mail. Mas neste caso, porque motivo não foi escrito o texto directamente na mensagem de correio. Em vez de facilitar a leitura da piada, uma pessoa ainda tem de recorrer a uma aplicação externa para ler meia dúzia de linhas de texto. Isto faz sentido a alguém?

Já agora, fica aqui uma piada que recebi dentro de um ficheiro ?.doc?. Não são necessárias aplicações externas.




Se você conseguir ler as primeiras palavras o cérebro decifrará automaticamente as outras...

3M D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4. 4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0.

0 R3570 3 F3170 D3 4R314

domingo, novembro 05, 2006

Licenças OEM da Microsoft... outra vez...

A todas as marcas de computadores, distribuidores e lojas revendedoras associadas.

Meus senhores,

Tenho uma questão para vos colocar, relativamente à vossa actual política de venda de hardware. Quando visito as vossas lojas ou os vossos websites, deparo-me sempre com o seguinte cenário:

"A marca (inserir aqui a vossa marca) recomenda o Windows XP ..."

e/ou

"Todos os computadores (inserir aqui o modelo) são comercializados com o Sistema Operativo Microsoft Windows XP Home Edition Português VERSÃO GENUÍNA!"

O problema é que utilizo Linux e fico um pouco preocupado, e até ofendido, com o facto de, como cliente, estar a ser marginalizado, e de ter de pagar, indevidamente, uma licença para um produto que não utilizo (nem quero utilizar).

Eu gostava de poder exercer a minha liberdade de decidir qual é o sistema operativo que quero utilizar no meu novo computador. Afinal não vivemos num regime ditatorial em que o estado (ou empresa neste caso) decide por mim a minha vida.

Além disso, não tenho interesse em usufruir dos fantásticos serviços de assistência da Microsoft e não quero que esta me proteja contra software pirateado que eu não utilizo.

O que eu queria mesmo era poder comprar uma máquina sem ter de passar por esta idiotice de cada vez que o faço. Afinal de contas, a Galp não decide por mim qual é o carro que eu tenho de comprar. A Opel não decide por mim qual é o combustível que eu tenho de utilizar. A EDP não escolhe os electrodomésticos de minha casa. Porque raio vem agora a Microsoft tentar decidir qual é o sistema operativo que eu utilizo numa máquina que ela não produz, não distribui e não vende? Como se não houvesse alternativas?

Eu sei que a Microsoft só está a tratar dos seus interesses. No entanto, a liberdade individual dos cidadãos não pode ser posta em causa por causa de interesses comerciais de uma empresa. Além disso, por mais ridículo que possa parecer, todo este controle apertado (leia-se: caça
às bruxas) é devido (alegadamente) à pirataria informática. Pois bem, o meu Linux é legal! Não tenho o direito de o utilizar?

Eu não utilizo produtos Microsoft! Não contribuo para o enriquecimento do Sr. Bill Gates! Não contribuo para a saída de divisas do país e, consequentemente, não contribuo para o enriquecimento de uma empresa estrangeira! Sou, por causa disso, um mau cidadão? Por causa disso, perco os meus direitos aos olhos da lei? Porque acordei e abri os olhos, deixei de merecer consideração? E a lei da concorrência? Que é feito dela?

Onde é que está, no mercado nacional no geral e nas vossas empresas em particular, a possibilidade de utilizadores e administradores de sistemas baseados em outro qualquer sistema operativo livre, poderem adquirir hardware para estes sistemas?

Lembrem-se que mais de 60% dos servidores web de todo o mundo são instalados com Linux+Apache. Será justo que a Microsoft venda licenças nestas máquinas?

Gostaria imenso que neste país houvesse alguém que tivesse respeito e consideração pela minoria que não utiliza Windows.

Bem, fico por aqui. Agora vou comprar um carro... espero que não venha com uma licença pré-paga obrigatória da Brisa. É que só utilizo o carro para ir às compras ao fundo da rua...

sábado, outubro 21, 2006

SHIFT Bill Gates

"Decorreu no início do mês, em Lisboa, a conferência SHIFT destinada a
discutir tecnologia durante dois dias e o seu impacto na sociedade. Na
mesma semana, soube-se através do Jornal de Negócios que o acordo da
educação de TIC assinado pelo Ministério da Economia com Bill Gates irá
implicar um custo de 2,1 milhões de euros a suportar pelo Estado. Na
altura, alertei que mais cedo ou mais tarde iria ser cobrada a factura
pela sessão de assinaturas.
Mais uma vez, não é claro se o investimento da Microsoft será
equivalente ao do Estado ou, extraordinário mas bem possível, a mesma
pretende não investir e apenas arrecadar algumas licenças.
[...]"

-- Paulo Trezentos, in Bits & Bytes

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Estamos salvos...

O Sr. Bill Gates veio de visita a Portugal para estar presente na 3ª edição do Government Leaders Forum, evento organizado pela própria Microsoft. Aproveitando a sua presença por cá, foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, entregue pessoalmente pelo nosso ainda Presidente da República, Jorge Sampaio.

Depois de me ter informado sobre as obras humanitárias nas quais tem participado, juntamente com sua esposa, tenho de concordar que o Sr. Bill Gates merece as distinções com as quais tem sido agraciado. Além disso, fico francamente satisfeito por saber que pessoas realmente necessitadas, com fome ou com doenças graves, estão a ser ajudadas com o dinheiro que ele doa.

E depois disto dito, o outro lado da questão. O Sr. Bill Gates é extremamente inteligente e não enriqueceu dando dinheiro sem tirar excelentes contrapartidas. Para começar, apenas os ricos criam fundações para ajudar os mais necessitados. Porque será? Não tenho a certeza mas parece-me que existem grandes benefícios fiscais para as quantias doadas. Em segundo lugar temos a dimensão da fortuna. O Sr. Bill Gates podia doar diariamente 2 milhões de dólares que isso não afectaria a sua qualidade de vida. No entanto, a maioria dos portugueses não pode doar nem 100 euros sem ficar na penúria para o resto do mês. Além disso, é interessante constatar que os prémios que o Sr. Bill Gates recebe são pelas suas generosas doações e não, que eu saiba, pela qualidade dos produtos que vende. O que me leva a outro ponto da questão. Como foi que o patrão da Microsoft conseguiu criar tal fortuna?

A Microsoft domina o mercado e qualquer empresa gostaria de poder dizer o mesmo. No entanto, existem regras de mercado que as empresas têm que cumprir ou são penalizadas pelos respectivos governos. Bem... todas, todas, não! A Microsoft sempre conseguiu levar avante os seus planos monopolistas e anti-concorrência impunemente. As desonestas tácticas que já fazem parte da história vêm desde a década de 70. É interessante constactar como o Sr. Gates arruinou a Digital Research (DR-DOS) com um produto muito inferior (MS-DOS) em http://www.cadigital.com/kildall.htm.
Muitas empresas foram à falência e muitas pessoas perderam os seus empregos para que a Microsoft pudesse ser o que é hoje.

A Microsoft não tem respeito pelos interesses dos seus próprios clientes. Todos os utilizadores sabem que o Windows é o sistema operativo mais inseguro do planeta (discorda? Então entre em contacto comigo. Tenho uma ponte para vender!). Este sistema não pode ser ligado à Internet, sem ter um programa anti-vírus, um programa anti-spyware e uma firewall. Existe uma indústria inteira a viver à custa dos problemas de segurança do Windows. É preciso prova maior? No entanto, apesar de todos estes problemas, o Windows é o sistema operativo mais utilizado do planeta. (Não dá para perceber...estão todos a dormir?). Mas o desrespeito pelos seus próprios utilizadores não parece ter limites. Recentemente a Microsoft anunciou mais uma fabulosa inovação na área da segurança. O Microsoft Windows OneCare. Esta aplicação, mediante o pagamento de uma subscrição, protege o Windows de vírus e de outros problemas derivados da fragilidade do mesmo. Como?? Vamos ver se percebi. Compro um sistema operativo cheio de problemas e depois subscrevo um serviço pago cuja função é proteger a minha máquina dos problemas de segurança iniciais!?!? Ninguém acha isto estranho e ridículo? (Não?! Entre em contacto comigo. Tenho para venda a Torre dos Clérigos! Ver hoje.). Porque é que a Microsoft, simplesmente, não corrige os problemas existentes?

O plano, não o tecnológico, mas o pessoal do Sr. Bill Gates é, como não podia deixar de ser, fidelizar futuros utilizadores no seu defeituoso sistema operativo e restantes ferramentas. E Portugal, mais uma vez, dá pulos de alegria com esta iniciativa. A Microsoft apenas escolhe Portugal para lançar estas iniciativas porque o nosso país tem boas condições para ser cobaia. Se a experiência correr mal, o resto do mundo não quer saber, se correr bem, fantástico! Mais umas centenas de utilizadores fidelizados. Alguém se lembra, numa das anteriores visitas (1984, acho), que o Sr. Bill Gates veio a Portugal para lançar um serviço inovador de televisão digital em parceria com a TV Cabo? Nunca mais ouvimos falar disso. Deve ter corrido mal!

A Microsoft vai pagar cursos de tecnologias de informação para uma quantidade enorme de candidatos. É para a menina e para o menino. É para desempregados e para estudantes. De pequenino é que se torce o pepino e portanto toca a contribuir com 1000 salas TIC para os meninos aprenderem a mexer no Windows. Lá diz o ditado: as crianças são o futuro, quero dizer, futuros compradores de produtos Microsoft. Senhores gestores de escolas públicas: Já repararam que o preço de um computador novo com Windows dá para comprar dois computadores novos sem sistema operativo? E se estes tiverem também o Microsoft Office até dá para comprar três. Lembrem-se que existem alternativas gratuitas, imunes a vírus, muito mais adequadas para o meio educativo. Além dos estudantes toca a contribuir também para a formação de alguns desempregados. Pode ser arranjem um novo emprego e precisem de um computador. Com Windows? Claro! Também ouvi falar de cursos em algumas Universidades por este país fora. Deviam ter vergonha! Poderiam, por favor, explicar-me como é que pode criar um curso de nível universitário baseado num sistema operativo fechado desenvolvido por uma empresa que não respeita os standards existentes, alterando-os de forma a incompatibilizar produtos concorrentes.

O que me irrita mais é a forma como os nossos políticos se comportam nesta situação. Parecem crianças em redor de outra que tem rebuçados para distribuir. Esses rebuçados vão ser pagos, mais cedo ou mais tarde, e não serão baratos. Inocentes!!! (Tinha melhor opinião do Dr. Mariano Gago) Se estivessem atentos ao que se passa noutros países, também com dificuldades económicas, veriam que é possível reduzir a despesa pública e a info-exclusão utilizando software gratuito de qualidade. Verifiquem o que se está a passar, por exemplo, no Brasil e na Argentina. No Brasil, o governo brasileiro colocou em prática um plano que permite às famílias menos afortunadas comprarem um computador por um preço baixo, com taxas de juro reduzidas e mensalidades baixas na ligação à Internet. Na Argentina já perceberam que a dependência Microsoft apenas aumenta a saída de divisas do país. O governo argentino fomenta o desenvolvimento de software no próprio país utilizando ferramentas livres, criando assim postos de trabalho e contribuindo para o desenvolvimento do próprio país. Que tal para um choque tecnológico? Em Portugal, acho que o governo nem sequer tem conhecimento das directivas Europeias para a utilização de software livre e aberto. Se o Sr. Primeiro Ministro, na sua máquina, quer ter Windows, que o pague do seu bolso com o chorudo salário que os contribuintes lhe pagam. Nos computadores públicos não sou da mesma opinião. De certeza que se arranja outra forma de investir o dinheiro poupado nas licenças de software proprietário. O ministério da justiça vai migrar o seu parque de computadores de secretária para Linux Caixa Mágica. A poupança em licenças de software, neste caso, ascende aos 10 milhões de euros. Quantos ministérios temos? Multiplicando o número de ministérios por 10 milhões, já deve dar para construir o TGV sem desviar fundos de outros lados. Certo? Nós não somos um país rico. Muito pelo contrário. E não precisamos de ter pena do Sr. Bill Gates. Ele já tem muito dinheiro.

O Sr. Bill Gates veio de visita a Portugal. Viva!!! Vamos sair da cauda da Europa. A economia vai florescer. O desemprego vai baixar. Estamos salvos! Estamos salvos! ... É já a seguir... É que é já a seguir...


Rui Gouveia

quinta-feira, novembro 24, 2005

Licenças OEM da Microsoft. Justiça?

Compreendo a necessidade que a Microsoft tem de tentar proteger a sua propriedade intelectual. No website da Microsoft Portugal existe até uma secção onde é explicado, aos utilizadores, o que é a pirataria (não a dos gajos maus que atacam barcos), como é que a pirataria afecta os comuns utilizadores e porque motivos, activando um produto Microsoft, o utilizador fica protegido (contra quê, é o que falta saber).

Eu pessoalmente sou contra a utilização indevida de software proprietário para trabalho. Quem utiliza software deste tipo e ganha dinheiro com isso, é mais que justo que tenha o software devidamente licenciado. Não quer pagar pelo software? Então utilize software livre! Tem óptimas alternativas, não fica preso a nenhum fornecedor proprietário, não gasta tanto ou não gasta nada e tem todo o software legal.

Contudo, também acho que a Microsoft está a ir longe demais. Esta não parece reconhecer a existência de outros sistemas operativos. Devido ao seu monopólio e concorrência desleal conseguiu forçar todos os vendedores e fabricantes de computadores a vender juntamente com um novo computador uma licença OEM do seu sistema operativo. (Mas esta situação está lentamente a mudar, como se pode ler no meu post anterior.)

No site da Microsoft Portugal está mesmo declarado que: "Quando compra um novo PC, deve vir incluido software do Sistema Operativo da Microsoft, tal como o Microsoft Windows". Como??? E se eu não quiser o windows porque apenas trabalho com outro sistema operativo? Vou ser obrigado a pagar por uma coisa que não quero e que não utilizo? Não me parece justo!



Mas as licenças OEM da Microsoft são injustas mesmo para os seus utilizadores cumpridores. As grandes empresas e as instituições públicas (ministérios, escolas, universidades, etc) normalmente fazem contratos de licenciamento para o seu universo de utilizadores. Estas contratos podem abranger centenas ou milhares de utilizadores num único contrato. E a questão que estou a levantar é a seguinte: Se todos estes utilizadores já estão devidamente licenciados, nas novas máquinas que sejam compradas também são pagas as licenças OEM? Se sim, a Microsoft está a vender duas vezes o mesmo artigo o que não me parece honesto (ou legal!). Analisando por outro prisma, as empresas Portuguesas estão a pagar duas vezes pelo mesmo artigo e as instituições públicas estão a gastar o dobro do dinheiro público que deveriam no mesmo artigo. Não é preciso. O Bill Gates já tem muito dinheiro.

Não haverá neste país nenhuma entidade competente que repare nesta situação? DECO? Algum ministério?

Fica a ideia...

Portátil Linux (e sem licença OEM da M$)

Este Natal decidi comprar um novo portátil para substituir o meu ASUS actual, que já soma quatro anos de idade. Como apenas utilizo o sistema operativo Linux, tive em consideração dois aspectos que considero importantes:

1. A compatibilidade do hardware com o sistema operativo Linux. Comprar a última tecnologia disponível de algumas marcas pode dar maus resultados. Algumas marcas (Sony, Dell, Asus, ...) simplesmente não se preocupam com mais nada que não seja o Windows. O meu ASUS actual teve de esperar um ano para ter o suporte gráfico totalmente suportado.

2. A isenção do preço da licença OEM da Microsoft. Por uma questão de princípio. Se não utilizo este sistema não é justo que pague uma licença por ele.

Foi complicado! Encontrar uma empresa que vendesse portáteis sem sistema operativo (subtraindo, claro, o preço respectivo da licença OEM ao preço da máquina) foi muito complicado. Nas lojas disponíveis nos grandes centros comerciais, os funcionários que abordei nem sabiam o que era o Linux. Mais improvável ainda era venderem-me uma máquina nas condições que eu queria. Desisti. Comecei a procurar modelos em sites internacionais que vendem portáteis com o Linux pré-instalado. Através dos sites tuxmobil.org e linux.org descobri alguns interessantes. Os meus preferidos são:

www.emperorlinux.com
www.linuxcertified.com

Foi bom verificar que nestas empresas já impera o bom senso. O cliente apenas paga a licença OEM da Microsoft se quiser o portátil instalado em dual-boot (Linux+Windows). Estava mesmo a decidir-me por um destes modelos até que descobri, cá em Portugal, uma loja que começou a vender portáteis e computadores com o sistema operativo opcional. É verdade!!! Tive de me beliscar para ter a certeza que era verdade. Esta empresa é a PowerOn e está a vender uns portáteis muito engraçados da Tsunami que são montados inteiramente em Portugal, mais especificamente em Matosinhos, pela empresa J.P. Sá Couto. O catálogo com as diversas opções pode ser obtido aqui.

A PowerOn permitiu inclusive que eu testasse o hardware com duas versões live de Linux. Posso portanto confirmar que com o DVD do Knoppix 4.0 e com o CD do Ubuntu 5.10 o hardware do Tsunami Traveller F12D é todo reconhecido. Não tive oportunidade de fazer testes exaustivos mas não encontrei defeitos nos testes que efectuei.

Obrigado PowerOn.